Eu quis dizer essa semana... ou no fim de semana... ou sei lá quando foi:
Talvez o pior não seja sentir que não me adapto a esse mundo. O pior pode ser raciocinar que, se ando enxergando o mundo todo errado, o problema talvez esteja em mim. Isso cria um paradoxo de tortura em que não me adapto a esse mundo errado porque talvez errada esteja eu, mesmo que eu sinta que estou certa. Angústia crônica.
Por outro lado, ontem:
No posto de gasolina, o frentista com um rosto perfeitamente familiar. Lindinho por sinal. Me reconheceu e perguntou se ainda dou aula. Lembrei de quando o conheci, lembrei de porque deixou de ser meu aluno - mudou-se de bairro, mudou-se de escola - e então contou a pior parte daquilo tudo. Ao mudar de bairro, foi para a escola pública, onde passou a ser o melhor aluno - mesmo tendo sido mediano até então. De posse desse relativo sucesso, passou a não freqüentar as aulas - sempre há algo melhor a se fazer do que ir às aulas? - e foi reprovado no segundo ano do ensino médio. Trabalhou com o pai, não se adaptou. Tentou um negócio próprio, teve prejuízo. Agora faz supletivo, e trabalha de 14:40h às 23h num posto de gasolina. Todos os trabalhos são dignos, mas foi um pouco chocante pra mim.
E, por fim...
Alguém já ouviu um adulto mais velho dizendo que estudou em escola pública quando a escola pública era melhor que a particular?
Sempre me perguntei como foi que tudo mudou. Me ocorre que a exigência de escola obrigatória para todos, sob responsabilidade do Estado, tenha causado tudo isso. Porque estudar envolve um esforço pessoal que é voluntário. Obrigado, o indivíduo não necessariamente se esforça. E caem os índices. E mudam-se as avaliações e didáticas e pedagogias para melhorar os índices - e não o ensino...
O que me assusta mais é pensar que o ensino superior ganha ares de obrigatório. Ou pelo menos indispensável. Que, ao invés de financiar bolsas de estudo em escolas particulares, queiram enfiar todo e qualquer aluno em estabelecimentos que, desde a fundação, foram pensados como centros de excelência em pesquisa e ensino - e não somente escola-para-o-emprego.
Tenho medo de, daqui a alguns anos, ser aquela que diz "eu estudei em universidade federal, no tempo em que elas eram melhores que as particulares"...



Um comentário:
oh yeah babe
rapadura é doce mas num é mole nao.
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