segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Se...

Daqui a alguns anos, se eu disser pra alguém "eu era feliz e não sabia", por favor, me lembrem de como eu sei que estou (sou!) feliz.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Página trezentos e cinqüenta e nove
Nono mês

"Posso, por exemplo, chorar carente e cansada numa noite de domingo, descrente e sem fé, achando que não mereço outra chance de completar um par. E aí, na noite de segunda, conhecer alguém que me abala as estruturas sem que eu nem mesmo entenda bem o porquê. É como se a fé se esticasse até quase estourar, quase se perder, e depois voltasse com força total, crença inexplicável de que as coisas têm razão e hora pra acontecer."
(eu, em 20/jun/07, nesse link aqui)

Não consigo me lembrar de nenhuma outra pessoa sequer com quem eu tenha convivido por oito meses e não tenha passado uma semaninha brigada.

Nunca vi alguém tão parecido comigo e que mesmo assim me acha verdadeiramente legal.

É inacreditável que eu pegue no celular pra ligar pra ele e o celular quase caia no chão - tamanho o susto - porque ele está ligando.

Nunca uma pessoa me deu tanta coragem de mudar de vida e construir coisas novas, sem medo e sem preguiça.

Nunca uma pessoa disse exatamente as mesmas coisas que eu com tanta freqüência.

Nunca consegui que alguém entendesse tantos dos meus olhares e jeitos. E nunca ninguém tinha me dito - olhando as minhas fotos de bebê - que eu continuo fazendo exatamente as mesmas caras.

Já completei oito meses de namoro antes, mas nunca tive tanta certeza de que é só a pontinha do iceberg, que é só o começo, que é o que eu quero pra mim.

Nunca fiz parte de um par tão perfeito. E estou tremendamente feliz.

Brigada, meu benzinho, por ser a melhor parte do meu dia-a-dia há 8 meses.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Tipo agora

Tem épocas na minha vida (eu ia falar "vida da gente", mas vai que é só comigo...) que sou obrigada a escrever tanta coisa, entregar tanto relatório, tanta prova, tanta coisa, que dá uma certa birra de escrever.

O blog fica às moscas porque eu gastei todas as minhas palavras noutro lugar. Vai ver não é bem o escrever tanta coisa. Vai ver que um período astral psicológico inexplicável de pouca escrita caiu numa época de muita escrita obrigatória, e aí realmente não sobra muita palavra.

E quando isso acontece, tipo agora, por mais que eu escreva, sempre parece que ficou uma porcaria e que ninguém cometeu tanto pecado pra ser obrigado a ler.

Depois eu penso melhor e, já que eu já escrevi, melhor dar um publicar ali. Pelo menos fica mais explicado que não é um desleixo, é só uma falta de jeito mesmo.

E fim.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Página trezentos e cinqüenta e oito
Uma das origens da neurose

Eu sou uma mulher redundantemente neurótica. Não escondo, não me orgulho, simplesmente sou.

O que significa ser uma mulher neurótica? Significa achar um milhão de possibilidades, razões, desfechos e sentimentos pra cada evento do dia-a-dia. Entenda-se por "evento" qualquer coisa. Inclusive a meia calça desfiar na porta do carro.

Pois bem, eu tenho pra mim que descobri uma das origens da minha neurose crônica.

Mulheres têm sexto sentido, diz a lenda, e eu tenho certeza que a minha intuição é poderosa sim. Várias vezes eu "senti que devia fazer" alguma coisa e percebi que o resultado foi ótimo sem ter pensado e analisado.

E o que acontece quando a mulher (eu!) começa a pensar se aquilo é intuição ou pensamento? E quando ela resolve pensar e analisar todas as possibilidades? Então ela duvida do próprio sexto sentido, ou credita pensamentos próprios a uma espécie de intuição.

É aí que a porca torce o rabo. É aí que a neurose ataca como uma voadora no estômago. E é aí que ela precisa repetir as sábias palavras do Chaves: "ninguém tem paciência comigo".

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Página trezentos e cinqüenta e sete
Cenas de nós dois

Como o mundo sempre dá voltas a mais, acabamos indo pro sistema cozinha-come-dorme-acorda-e-recomeça conforme planejado. Nada melhor pra definir se um relacionamento pode dar certo do que viajar com a pessoa. Segunda viagem com o namorado, dessa vez sem a mãe dele, mas com o meu pai. Vamos aos fatos.

CENA 1: Aceso o fogão a lenha, fomos cozinhar no fim do dia. A luz da cozinha de fora não estava funcionando. Acendemos uma vela. Eu queimei o arroz e deixei sem sal, mas o bife ficou ótimo. Ainda assim, arrumamos a mesa e comemos com pompa, como se fosse um banquete.

CENA 2: Acordei de tpm. Eu sabia que estava de tpm. Falei pra ele que estava de tpm. Depois de uma hora e meia torrando a paciência dele e fazendo cara de brava, ele pára no meu caminho, me impedindo de passar, e diz:
"benzinho, sua tensão pré-monstrual 'tá nervosa hoje, hein?"
Eu rio. Muito. E alivia a tensão.

CENA 3: O almoço foi macarrão alho e óleo. Ele descascou os alhos, mas eu cortei e fiz o macarrão, com todo o fogo e todo o cheiro. Deitamos para a sesta. Ele diz no meu ouvido:
"benzinho, você está um alhinho"
Eu faço cara de brava - "tá bom, já vou tomar banho".
E ele me abraça, me segura e diz "ôooo, minha macarronaaaadaaaa".


E eu agradeço a Deus pelo anjo torto que me apareceu no caminho.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Carnavais

Desde que eu virei "gente grande" (vá lá, depois que passei de 14 anos), passei a maioria dos meus carnavais fugindo da bagunça e aproveitando uma espécie de feriadão especial. Talvez porque, desde essa idade, sempre estava com namorado e querendo mais paz e carinho do que festa e curtição.

Aí veio 2005 e eu estava só. Ainda assim, troquei a folia pelo come-dorme do sítio do papai. Foi assim, mais uns dias de folga que passaram por mim.

Em outubro de 2005 eu cismei que ia pro carnaval do Recife do ano seguinte. Em dezembro, anunciaram pra mim que eu não ia poder mais, ganhei um bolo prévio. Aí veio uma amiga e chamou pro carnaval de Diamantina.

Em 2006 eu fui com o pessoal da Turma do Apito pra um carnaval super divertido lá em Diamantina. Eu nunca fui de muita farra e povão, mas esse pessoal, a casa onde a gente ficou e tudo mais contribuiu pra ser uma farra deliciosa e inesquecível. E quando eu voltei pra BH, já vim com a cabeça feita de que o ano seguinte seria em Recife.

E fui. Passei uma semana antes e a semana do carnaval inteira em Recife, em 2007. Carreguei dois amigos daqui de BH e encontrei a confeiteira do bolo anterior. A energia do carnaval de Olinda e Recife é inexplicável. A gente vê pela tv o pessoal pulando e fazendo festa, e acha que é só porque tem uma câmera filmando, mas não é. A alegria, a energia e a festa são tamanhas que não dá pra ficar parado.

Prometi que voltava em 2008. E tinha toda a intenção - já tinha até avisado ao namorado, isso em julho! Daí veio o emprego novo... O calendário dele... Aquelas datas estranhas... O preço absurdo das passagens pra quem precisa voltar na quarta-feira de cinzas... E o meu carnaval ficou pra lá.

Tinha me conformado com uma fugidinha pra um lugar no campo, com cachoeira ou algo que fosse parecido, mas o pai solicitou uma ajudinha numa empreitada de carnaval. E me programei pra passar os 4 dias em retiro cozinha-come-dorme, no sítio dele. Até que o namorado - esse workaholic incurável! - informou que estará trabalhando. Dou a maior força e sei que foi a melhor decisão, mas vi naufragando os planos de paz e carinho. Vou ficar num vai e volta danado - ou não. No final das contas, nada parecido com o planejado.

O coração aperta a cada reportagem, som ou imagem sobre o carnaval de Recife. Dá uma vontade louca de estar lá. Mas aí eu acabei de saber que a minha anfitriã nem estaria em casa. Que seria uma festa solitária. Que os amigos do ano passado tiveram outros planos. E que está tudo bem assim. E que o ideal é carnaval no Recife em anos ímpares... Então, quem sabe ano que vem? Vamos comigo?