segunda-feira, 23 de junho de 2008

Página trezentos e sessenta e sete
Associação nem tão livre

O mundo faz coisas com as nossas cabeças que não deveríamos permitir.

Deveria ser óbvio que a combinação lençol de cetim branco, rosas vermelhas e champagne não significa sexo, e que sexo não significa essa combinação. Ainda assim, a imagem sempre nos remete a uma noite romântica de sexo infindável. Claro que as duas coisas combinam, mas não são a mesma coisa.

Da mesma maneira, a dança de salão sugere uma convivência harmoniosa, aconchegante e extremamente educada. O que muitos esquecem é que, antes de serem dançarinos, são pessoas. Seres, indivíduos, gente de carne, osso, qualidades e defeitos. Defeitos.

O mundo ensina meias verdades, e você calça como se fossem incontestáveis. E começa a basear seus pensamentos e julgamentos nessas verdades incontestáveis, e de repente está preso numa jaula de insatisfação eterna. Espera dos outros a meia verdade, e recebe a verdade inteira.

Não confunda o que você rotula e o que de fato é. Rótulos são arbitrários e inflexíveis. Propagandas (como todas as imagens construídas acima) são sugestões, ilustrações, idéias. A sandália da Gisele, da Sandy, da Ivete ou a da Xuxa não mudam a pessoa que você é. Ou mudam?

Talvez você valorize tanto o sexo (aquele que vendem pelo mundo) que espera sempre o lençol de cetim, as rosas vermelhas. Talvez espere que calçando o sapatinho de dança ganhe o direito de ser paparicado por todos os outros da mesma tribo. Talvez você acredite que é uma garota Victoria's Secret, um rapaz Tommy Hilfiger.

Eu tenho aprendido, porém, o valor das coisas deve estar no que você sente por elas. Não a propaganda, não o preço do mundo. Apenas isso, o meu sentimento. E aí, dane-se o mundo se eu amo o meu moletom velho, dane-se o mundo se eu quero um All Star novo. Vale o meu (a)preço.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Aproveitando o ensejo...

Junho tem agora uma seqüência importante de datas comemorativas para mim. Dia 11 de junho é aniversário de uma amiga querida, Ju Croft. Já no 12 de junho tem aniversário do blog, além de dia dos namorados. O dia 14 é aniversário do papai. E dia 19, vejam bem, é aniversário de namoro.

Foi ontem. Um ano. Em julho do ano passado, na chamada terceira semana de namoro, eu escrevi:
"Eu estava lá, à toa, e ele lá, também. E a gente começou a conversar, e papo vai, e papo vem... Ele me desafia mentalmente, eu gosto disso. Se eu quero fazer uma coisa, alguém me desafiar faz parecer mais gostoso e acontecer mais rápido, com mais empenho. E a gente trocou msn, viu fotos, fuxicou orkut mutuamente, ficou de papo a madrugada toda e resolveu se conhecer."

A gente se conheceu, se beijou, se quis, se viu sempre que possível, desde então. Ele continua a me desafiar. Ele me faz rir. Ele acolhe meu choro - raro. E eu acho que para sempre vocês vão me ouvir falar nele.

E quem vê a gente junto passa a acreditar, nem que seja um pouquinho, em destino. Porque só ele juntaria duas pessoas tão feitas-uma-para-a-outra.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Da série "passou e eu nem lembrei"

O HMB original (http://historiasdamariabonita.zip.net) nasceu em 12 de junho de 2004. Quer dizer que o blog fez quatro anos e eu nem lembrei.

Lembrei atrasada, será que ainda conta?

Talvez eu mude o visual pra compensar.

domingo, 15 de junho de 2008

Página trezentos e sessenta e seis
A bruxa dos dentes

Existe, nas fábulas americanas, uma fada que troca o dente (de leite) que as crianças deixam debaixo do travesseiro por moedas, doces ou algo que o valha...

Preciso de lembretes sonoros pra conseguir tomar antibióticos ou outros remédios que precisam de horário marcado. Escovo os dentes, mas não uso fio dental sempre. Enxagüante bucal, só quando quero. Resumindo, sou péssima para tratamentos em geral.

Até os 18 anos, acho que 19, nunca tive muitos problemas com dentistas. A bem da verdade, fazia o absolutamente imprescindível para manter a saúde. Estética? Nem te ligo. Mas nasceu o dente do juízo, e desajuizado ele nasceu torto. Pra falar a verdade, eles - os quatros - nem se dignaram a romper a gengiva.

Doía, e como doía a cabeça, por causa dos danadinhos. Que remédio, senão dentista? Radiografia e consulta e o meu dentista (canhoto) decidiu arrancar um de cada vez. Sábia decisão. Ele perguntou se eu preferia começar pelo mais fácil ou pelo mais difícil. Claro que eu fui pelo mais difícil. Porque morro abaixo me parece melhor.

Dente um, inferior esquerdo, praticamente a 90º da dentição. Duas horas e meia de cirurgia, alveolite e duas semanas de recuperação até conseguir comer de novo. E haja força pra conseguir voltar no dentista pro segundo.

Dente dois, inferior direito. Hora e quarenta e cinco de cirurgia, uma semana pra comer normalmente. Dente três, superior esquerdo, uma hora de cirurgia. Dente quatro, superior direito, quarenta e cinco minutos de boca aberta. E chega.

Vale a menção: eu, quando nervosa, disparo a chorar. E chorei um total de 340 minutos no processo.

Há uns 3 meses, comecei a sentir dores muito intensas no último dente da arcada superior esquerda. Há um mês, perdi uma noite de sono com dores muito intensas. No dia seguinte, fui ao dentista numa sessão de emergência.

A sessão não durou mais de meia hora, e eu tenho pra mim que chorei uns 25 minutos. De nervoso, de dor. Tenho absoluto trauma de dentista. Ao fim, a notícia: o que me afligia era uma cárie de mais ou menos um ano de idade. E o tratamento é... canal!

Dentista por dentista, qualquer tratamento me deixaria nervosa. E lá fui eu. No primeiro dia ele olhou, conversou, explicou o tratamento, deu o orçamento e marcou a primeira sessão. Eu avisei a ele que era chorona e que tinha trauma. Ele não acreditou muito.

Sessão um. A assistente do dentista passou mal no dia. Ele sozinho, cuidando de tudo, levantando pra pegar as coisas que esquecia, já que normalmente basta chamar a assistente e as coisas aparecem na mão dele. Dor! Eu quase de ponta-cabeça, pra facilitar o acesso dele ao dente. Hora e quinze de boca aberta, chorando tanto que ele me perguntou umas três vezes se eu queria parar. Então ele fez um curativo e marcamos a próxima sessão, com a idéia de que seriam 3 ou 4.

Sessão dois. Menos nervosa, mas ainda nervosa. A assistente presente. Chorei, doía, mas tudo caminhava. Sabem o que é um tratamento de canal? O dentista mata a parte viva que liga o dente ao sistema sangüíneo, e coisa e tal. Em resumo, broquinhas e lixinhas que são esfregadas nos canais que o dente tem. Não é bom, não é o fim do mundo. Mas eu choro. E passados uns quarenta minutos de tratamento... ACABA A LUZ. Do bairro todo, acho que um cabo da rede se soltou e pegou fogo, coisas assim. Então ele fez um curativo e marcamos a próxima sessão. Faltam 2 ou 3.

Sessão três. Menos nervosa. Ainda nervosa. Era sexta-feira treze. Eu não chorei. Mas a luz acabou somente na rede de fiação que mantinha o compressor ligado, ou seja, só cortou a eletricidade de onde ela era necessária. Curativo. Faltam duas.

A próxima sessão é daqui a uma semana. E meu trauma não diminuiu nadinha. Pra mim, por mais que se diga o contrário, quem existe é a Bruxa do Dente, e é ela que eu continuo encontrando, acompanhando os dentistas (calmos e excelentes) que eu encontro no caminho.


p.s.: Quer coisa pior que um dentista que faz piadinhas ruins ou conversa com você enquanto você está ali, de boca aberta e nervosa? Eu quase odiei o cara. E nem seria de graça.

terça-feira, 10 de junho de 2008

aleg(o)rias...

Abri as janelas, deixei o sol entrar.

Pessoas queridas reunidas, primeiro online, depois em carne e osso e risadas mil.

Bom me sentir eu mesma de novo. Sorriso de verdade.

Ainda faz frio, mas o sol há de voltar.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Página trezentos e sessenta e cinco
Auto-valor

[Em algum lugar das muitas matemáticas que estudei, havia auto-valores, havia auto-vetores...]


Às vezes ela esquece o valor que tem. Joana, lembra dela? Eu esqueci o nome novo dela. Eu esqueci várias coisas, na verdade... Mas eu ainda lembro como ela se sente.

Joana é aquela que tem os valores internos e almeja os externos. A que sente inveja da elegância, da coragem e do despojamento da outra. Mari, se não me falha a memória, a outra.

E não importa o quanto ela saiba, Joana simplesmente não sente que faz diferença no mundo. Mesmo que pessoas queridas entreguem abraços deliciosos cheios de "saí daí, coisa que faz chorar", beijos de "mas eu te amo, viu" e afins. E isso é absurdamente injusto.

Joana, injusta. Se pudesse, escreveria nas estrelas o quanto as pessoas são importantes. Mas às vezes explicar demais é complicar demais. Quase sempre, talvez... Será?

Há de ser uma fase. Há de ser. Porque, todo mundo sabe, Joana e Mari moram juntas no mesmo corpo. Desde sempre, para sempre. Algo há de acontecer e reestabilizar tudo isso. Algo que multiplique esse baixo auto-valor e o transforme num merecido e real valor de mercado, de mundo, de vida.