quarta-feira, 30 de abril de 2008

Murphy

SE:
1) planejo o feriado prolongado faz um mês
2) faz sol há 15 dias
3) vou para um lugar com água (cachoeira, piscina, etc),

ENTÃO:
(Previsão do tempo, UOL)
01/05: Chuvas ao longo do dia, com alguns períodos de melhoria
02/05: Tempo nublado, com chuvas isoladas ao longo do dia
etc.
(Jornal HOJE EM DIA)
"A previsão é de chuva e temperaturas baixas".


... O QUE MAIS EU ESPERARIA, CERTO?

Página trezentos e sessenta e quatro
Pequenas cicatrizes para pequenos corações

Convivo pouco - quase nada - com crianças. Por crianças, entenda-se aquelas coisinhas fofinhas, cheias de energia e com muito pouca auto-censura, que estão descobrindo o mundo e contando isso pra todo mundo.

Acho crianças um barato - provavelmente porque não tenho nenhuma, nem sou responsável por nenhuma.

Ontem estava ocupada fazendo alguns trabalhinhos burocráticos enquanto pequena Verônica e pequenina Rafaela jantavam em uma sala não muito longe. Ouvia os sons e as conversas (não dava para não ouvir, juro. Não foi bisbilhotice!). Fiquei justamente pensando em como elas são espontâneas e quão bacana é ouvir as verdades que a gente aprende a omitir quando vai virando gente grande.

Voltemos, então, à pequena Verônica e uma possível cicatriz que deve ter nascido ontem. Estava eu fazendo outros trabalhinhos bem antes do jantar delas, e percebi a Verônica sentada numa mesa, papéis à frente, canetas, lápis e afins em mãos. Passei muito tempo me perguntando se ela estava fazendo dever de casa ou simplesmente desenhando plácida e resignada, ali na sala. Mas, sabe como é gente grande, guardei as minhas dúvidas só pra mim.

Muito depois, quando elas já estavam jantadas, dentes escovados, empijamadas (palavra bonita, hein?) e devidamente enfiadas debaixo das cobertas, fiquei esperando a hora certa de ir embora e passando o olho pela sala, antes de fechar tudo. Foi aí que eu vi dois mini-cartazes pregados na mesa em que ela tinha desenhado antes. Diziam eles:
"Skené Passo Básico" (o nome da escola onde eu estava), com uma menina sentada de frente a uma mesa, "ela é criança". O segundo dizia "se quiser um desenho, peça a Verônica [sobrenome que eu não decorei], ela é criança". E aí eu senti uma pontadinha no canto esquerdo do peito. De dez ou quinze pessoas que passaram por ali na hora e meia que ela ficou sentada, ninguém pediu um único desenho...

terça-feira, 29 de abril de 2008

Página trezentos e sessenta e três
Questão de didática

Fernando diz que eu sou áspera (pra não dizer uma porta de tão grossa) com as pessoas que me conhecem mas não o suficiente.

Da última vez, a gente ficou analisando se eu era realmente grossa. Eu acho que só respondi à pergunta que me fizeram. Ele não sabe bem ao certo. Só sei que a pergunta foi mal formulada, e não dirigia a minha resposta pr'aquilo que meu interlocutor queria saber.

Eu ia, com Fernando, andando em direção ao carro. E o interlocutor veio em seguida, passadas largas, logo nos alcançou.

INTERLOCUTOR: Pra onde vocês vão?
MB: Pra casa uai...
INTERLOCUTOR: É porque vocês estão andando a pé...

Uai, gente, eu parei o carro longe. Mas fala, eu respondi exatamente o que ele me perguntou, não foi? Tá bom, era domingo quase onze da noite... Mas que eu respondi à pergunta, isso respondi.

Sou grossa não. O mundo é que me interpreta errado.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Política e futilidade

São dois comentários distintos, mas o título te enganou, não foi? Você achou que eu era altamente politizada e ia tecer comentários extensos sobre futilidades expressas em atos políticos, não é? Tolinhos... hehehehe

1 - POLÍTICA
Vem sido costurada, ao longo de muitos meses, uma aliança política entre o atual prefeito de BH - o petista Fernando Pimentel - e o atual governador - o tucano Aécio Neves. Apesar de todos os pesares (que não me cabe discutir) de cada uma das administrações, a idéia é muito boa para a cidade, já que subentende um apoio estadual ao cuidado com a cidade que é a capital.
Leio hoje no jornal que o PT nacional vetou a participação do PSDB na aliança. A alegação tem uma explicação que no fundo está ligada à sucessão presidencial, já que Aécio tem sido cotado para a disputa e essa aliança traria possíveis impasses mais tarde.

Vale mais a proteção de uma POSSIBILIDADE do que a efetivação de um bom trabalho. Vale mais manter a rixa (que é bem mais forte no eixo RJ-SP, de onde veio o tal veto) do que incisivamente organizar um governo eficiente e democrático.

Deus nos acuda.

2 - FUTILIDADE
Os manequins de vitrine já são infinitamente magros, ao ponto de prender quase metade da roupa com um alfinete pra dar o efeito das cinturas e curvas. Isso, em si, já é uma maldade com a auto-estima da brasileira peituda-bunduda-e-não-tão-magra que é referência de "normal".
Hoje, voltando do trabalho, vi a aberração: não só a manequim era magrela magrela magrela, mas exibia ostensivamente o que se entende por "tanquinho" - as marcas de músculos abdominais bem trabalhados. A imagem vende uma verdade insólita e, pior, masculiniza manequins que vestem biquini! (Sério, eu sei que em algumas mulheres fica bonito o tanquinho, mas estava hor-ro-ro-so!)
Eu tenho medo do mundo que estamos preparando pros meus eventuais futuros filhos.

Deus nos acuda.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Mães

Blogs afora, pessoas [entenda-se blogueiras amigas minhas] falam da admiração pela própria mãe, ou de conflitos da mãe dos outros com... bem, as outras.

E ontem foi mais um dia de debate com a minha mãe. Me faz bem sentir que já consigo manter o equilíbrio emocional e conduzir a discussão, mesmo que ainda aos trancos e barrancos. Me faz muito mal sempre perder o controle pela mesma questão, e não conseguir racionalizar essa questão, não importa qual seja o motivo da discussão.

Eu já tenho o presente dela em mente. Comentei em voz alta ontem pela manhã, com o namorado. Já não sei se no dia dela, daqui a bons 20 dias, ela ainda vai estar magoada / com raiva / seja lá o que for que ela sente.

Chorei menos também. Acho que realmente eu amadureci, de uns anos pra cá. E acho que ontem ela vislumbrou isso, mesmo sem aceitar.

... "E vendo a Sandra ter que fingir que é alguém que ela não é 100% me deu pena. Pena da mãe dela, que vê uma coisa que não existe. Pena da Sandra que não pode ser quem ela realmente é. E pena da Sandra de novo porque é visível que existe um conflito e ela não consegue sair. Não tem apoio, porque quem deveria apoiar é quem, na verdade, aumenta o conflito. É triste. Eu queria que todo mundo pudesse ter os pais como eu tenho. Mas aí eu lembro que a cada um segundo suas obras e isso é bom, porque eu devo ser alguém especial pra merecer pais e irmãs especiais."

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Eu confesso...

Não tô a fim de produzir nada. NADA.

Senta e espera passar.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

A professora e o jaleco, parte 2

E o jaleco foi para o cesto de roupas, como toda sexta-feira.

Mas, nessa sexta-feira particular, problemas de ordem pessoal impediram a moça que o lava de vir à minha casa. Ela também não pôde vir no sábado.

O jaleco não foi sozinho pra máquina de lavar. (Por quê? Alguém pode me explicar?)

Então, em caso de emergência, vesti uma roupa decente e fui trabalhar. Sem o jaleco.

E passei o resto da manhã com alunos e alunas elogiando a minha calça. Que eu uso semana sim, semana não. Que eles já viram inúmeras vezes. Por baixo do jaleco.