Eu vou trabalhar todos os dias de calça, evito decotes e ainda por cima uso um jaleco bem maior que o meu tamanho enquanto dou aula. Faço de tudo para mostrar que, mais do que uma jovem mulher de 25 anos, eu sou uma profissional formada e estou ali para ensinar Química.
Fui a um aniversário no sábado, e usei uma roupa que meu namorado considera típica de piriguetes. Segundo ele, eu só me salvei porque tinha um namorado de mais de metro-e-oitenta do lado, então não cabe na categoria. Nada demais, mas também dou a mão à palmatória: mini-saia justa, salto alto e fino, blusinha de alcinhas.
E hoje, vem um jovem aluno - único total em química na primeira prova - e diz:
"Professora, você estava sábado numa festa na rua do Ouro?"
Pensei pra responder - minha vida social fica n'outra gaveta, tem que ir lá acessar - e me lembrei que sim. Ele completou: "eu te vi lá, eu sou amigo do filho da Fulana [a aniversariante]".
Eu ali, de jaleco, lembrando do zouk com o Fernando, de saia curta e movimentos sensuais. Coisas da vida...
segunda-feira, 31 de março de 2008
quinta-feira, 27 de março de 2008
Não consegui não comentar
"Eu liguei para ele para falar: Bush, o problema é o seguinte, meu filho, nós ficamos 26 anos sem crescer. Agora que a gente está crescendo vocês vêm atrapalhar. Resolve, resolve a tua crise" - disse Lula.
Sentou no rabinho, titio Lula. A crise aérea já passou? E a sujeira das corrupções nas mais altas esferas do poder brasileiro?
Então "a little less conversation, a little more action please". Fala menos e trabalha mais, pelamordideus.
Sentou no rabinho, titio Lula. A crise aérea já passou? E a sujeira das corrupções nas mais altas esferas do poder brasileiro?
Então "a little less conversation, a little more action please". Fala menos e trabalha mais, pelamordideus.
quarta-feira, 26 de março de 2008
Nota de agradecimento
Agradeço, então, à minha sogra. Não só pariu esse menino tão lindo, mas o criou de uma maneira excepcional, digna de menções honrosas eternas.
Por quê? Pra explicar, cena de segunda-feira.
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Compramos pizza, coca-cola, fomos pra casa comer. Ele com uma mala e uma caixa cheia de coisas, carregando tudo sozinho e ainda me xingando quando eu tentei ajudar a carregar alguma coisa: "mulher não foi feita pra carregar peso".
Organizando o espaço para comermos, eu ofereço ajuda e ele "sossega, já falei que mulher não foi feita pra trabalhar".
Rápida como um trovão, perguntei "e pra quê mulher foi feita?"
Ele, calmo como sempre: "mulher foi feita pra ser amada".
-----
E ele não fala isso da boca pra fora... BRIGADA, minha sogra. Meu mundo é mais feliz por causa dele, e ele só está aqui porque você deixou.
Por quê? Pra explicar, cena de segunda-feira.
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Compramos pizza, coca-cola, fomos pra casa comer. Ele com uma mala e uma caixa cheia de coisas, carregando tudo sozinho e ainda me xingando quando eu tentei ajudar a carregar alguma coisa: "mulher não foi feita pra carregar peso".
Organizando o espaço para comermos, eu ofereço ajuda e ele "sossega, já falei que mulher não foi feita pra trabalhar".
Rápida como um trovão, perguntei "e pra quê mulher foi feita?"
Ele, calmo como sempre: "mulher foi feita pra ser amada".
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E ele não fala isso da boca pra fora... BRIGADA, minha sogra. Meu mundo é mais feliz por causa dele, e ele só está aqui porque você deixou.
quinta-feira, 20 de março de 2008
Página trezentos e sessenta e dois
Tais pais, tal filha
Desde muito, sempre achei que eu era muito parecida com a minha mãe. Na personalidade, claro, porque aos 24 anos ela media 1,52m e pesava 44kg. Não vou ficar especificando, mas digamos que eu tenha uns 10cm e uns muitos quilos a mais.
Sempre sofri por medo de cometer os mesmos erros que tanto me magoavam, e torci pra fazer os acertos que fazem dela uma pessoa tão bacana.
Já ouvi falar que a gente muda de ascendente, de personalidade, de sei lá o quê quando chega numa jovem idade adulta. Não sei se foi bem isso o que ocorrido, não sei se eu é que nunca tinha reparado. Aconteceu de, um belo dia, o meu namorado (lindo!!) me dizer que eu era muito parecida com o meu pai. E venho percebendo que, realmente, sou muito mais reservada e desconfiada (como o meu pai) que falante e fazedeira de novas amizades (como a minha mãe). E muitas outras coisinhas.
E de repente eu me dei o direito de achar que eu sou, então, um empreendimento genético de aperfeiçoamento, com os melhores traços dos meus progenitores. Eu sou o melhor do meu pai e da minha mãe. E, modéstia a parte, o meu pai e a minha mãe são pessoas sensacionais.
(Pegou? Pegou? EU SOU O MÁXIMO. Vou falando até virar verdade.)
Sempre sofri por medo de cometer os mesmos erros que tanto me magoavam, e torci pra fazer os acertos que fazem dela uma pessoa tão bacana.
Já ouvi falar que a gente muda de ascendente, de personalidade, de sei lá o quê quando chega numa jovem idade adulta. Não sei se foi bem isso o que ocorrido, não sei se eu é que nunca tinha reparado. Aconteceu de, um belo dia, o meu namorado (lindo!!) me dizer que eu era muito parecida com o meu pai. E venho percebendo que, realmente, sou muito mais reservada e desconfiada (como o meu pai) que falante e fazedeira de novas amizades (como a minha mãe). E muitas outras coisinhas.
E de repente eu me dei o direito de achar que eu sou, então, um empreendimento genético de aperfeiçoamento, com os melhores traços dos meus progenitores. Eu sou o melhor do meu pai e da minha mãe. E, modéstia a parte, o meu pai e a minha mãe são pessoas sensacionais.
(Pegou? Pegou? EU SOU O MÁXIMO. Vou falando até virar verdade.)
segunda-feira, 17 de março de 2008
quarta-feira, 12 de março de 2008
Página trezentos e sessenta e um
Tão tudo que nada, ao fim
Mundo vasto
variado de indivíduos
Indubitavelmente iguais
Inarravelmente diferentes
Mundo vasto
Conhecimentos múltiplos
Poderes mágicos
Saberes eternos
Mundo vasto
Tudo o que sei e nunca esquecerei
Tudo o que esqueci por achar que sabia
Tudo o que saberei
E tantas vontades
E tantos caminhos
Tantas obras e objetivos
E tudo tanto
Amplo, imenso
Que me recolho ao nada, enfim.
Abraçar o tudo é abraçar em vão.
variado de indivíduos
Indubitavelmente iguais
Inarravelmente diferentes
Mundo vasto
Conhecimentos múltiplos
Poderes mágicos
Saberes eternos
Mundo vasto
Tudo o que sei e nunca esquecerei
Tudo o que esqueci por achar que sabia
Tudo o que saberei
E tantas vontades
E tantos caminhos
Tantas obras e objetivos
E tudo tanto
Amplo, imenso
Que me recolho ao nada, enfim.
Abraçar o tudo é abraçar em vão.
quinta-feira, 6 de março de 2008
... leia isto
Eu às vezes passo um tempo lendo, explorando, passeando de link em link, vendo o que as pessoas escrevem, o que as pessoas lêem...
Dá vontade de indicar tudo. De mandar links de tudo pra um monte de gente. Tem um texto dolorosamente lindo sobre aquela verdade que já aceitei: é natureza masculina ser cachorro. É natureza feminina reclamar sobre isso, e aceitar assim mesmo. (http://brincos.blogspot.com/2007/08/call-me-irresponsible.html)
Mas isso me lembra que eu li - em algum lugar que perdi o endereço - que nunca se escreveu tanto para ninguém ler. Na internet, sabe? Todo mundo pode escrever. Mas a gente lê, pelo menos o quanto acha que deve.
E então eu percebi que cada um tem o seu monte de coisas que acha bacana de ler. E que guardar pra mim não é egoísmo... É uma forma de ser bacana e permitir que você mesmo escolha por onde quer passar os olhos.
[E pra quem recebeu (e passou pra frente) o email sobre a Ricardo Eletro descaracterizando o Mercado Central e decidiu também não comprar lá, eu lembro que apóio a idéia, mas que a loja nem abriu ainda... ]
Dá vontade de indicar tudo. De mandar links de tudo pra um monte de gente. Tem um texto dolorosamente lindo sobre aquela verdade que já aceitei: é natureza masculina ser cachorro. É natureza feminina reclamar sobre isso, e aceitar assim mesmo. (http://brincos.blogspot.com/2007/08/call-me-irresponsible.html)
Mas isso me lembra que eu li - em algum lugar que perdi o endereço - que nunca se escreveu tanto para ninguém ler. Na internet, sabe? Todo mundo pode escrever. Mas a gente lê, pelo menos o quanto acha que deve.
E então eu percebi que cada um tem o seu monte de coisas que acha bacana de ler. E que guardar pra mim não é egoísmo... É uma forma de ser bacana e permitir que você mesmo escolha por onde quer passar os olhos.
[E pra quem recebeu (e passou pra frente) o email sobre a Ricardo Eletro descaracterizando o Mercado Central e decidiu também não comprar lá, eu lembro que apóio a idéia, mas que a loja nem abriu ainda... ]
quarta-feira, 5 de março de 2008
Página trezentos e sessenta
O tempo passa...
Há cerca de dez anos, a medida de que o tempo estava passando era dada em termos das minhas realizações pessoais. Não se engane achando que obter as chaves de casa não é uma realização pessoal (dos idos de 1995). Também é importante a liberdade de ir e vir (de ônibus, mas sem precisar esperar a mamãe, 1996) da escola, pra escola, pra casa de amigos. Há uns quinze anos, a realização era poder usar caneta no caderno (1992)! Há pouco mais de sete anos, finalmente receber dinheiro em função de trabalho. Passar no vestibular, terminar a faculdade, passar no mestrado.
E hoje (ou ontem, ou essa semana), o tempo vem se mostrando de maneira diferente. Minhas primas, cunhada e todo o pessoal recém-casado da minha família materna anda às voltas com a idéia de ter bebês. Meus amigos estão saindo das minhas cenas, aos poucos - e logo logo os bolsistas remanescentes da primeira seleção seremos eu, a Marina e a Dri. E só. Éramos mais de 15, se não me engano. Logo não verei amigos de escola senão pelas fotos do orkut.
As realizações de hoje demandam muito mais tempo e muito mais esforço. Talvez esteja na hora de sair de casa - casada ou não. Talvez eu devesse comprar um carro pra mim. Quais seriam os meu objetivos hoje? Como marcar a passagem do tempo, quais devem ser as minhas realizações?
E, enquanto escrevo, o tempo passa. O tempo, esse ente misterioso, não pára jamais.
E hoje (ou ontem, ou essa semana), o tempo vem se mostrando de maneira diferente. Minhas primas, cunhada e todo o pessoal recém-casado da minha família materna anda às voltas com a idéia de ter bebês. Meus amigos estão saindo das minhas cenas, aos poucos - e logo logo os bolsistas remanescentes da primeira seleção seremos eu, a Marina e a Dri. E só. Éramos mais de 15, se não me engano. Logo não verei amigos de escola senão pelas fotos do orkut.
As realizações de hoje demandam muito mais tempo e muito mais esforço. Talvez esteja na hora de sair de casa - casada ou não. Talvez eu devesse comprar um carro pra mim. Quais seriam os meu objetivos hoje? Como marcar a passagem do tempo, quais devem ser as minhas realizações?
E, enquanto escrevo, o tempo passa. O tempo, esse ente misterioso, não pára jamais.
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