Existe, nas fábulas americanas, uma fada que troca o dente (de leite) que as crianças deixam debaixo do travesseiro por moedas, doces ou algo que o valha...
Preciso de lembretes sonoros pra conseguir tomar antibióticos ou outros remédios que precisam de horário marcado. Escovo os dentes, mas não uso fio dental sempre. Enxagüante bucal, só quando quero. Resumindo, sou péssima para tratamentos em geral.
Até os 18 anos, acho que 19, nunca tive muitos problemas com dentistas. A bem da verdade, fazia o absolutamente imprescindível para manter a saúde. Estética? Nem te ligo. Mas nasceu o dente do juízo, e desajuizado ele nasceu torto. Pra falar a verdade, eles - os quatros - nem se dignaram a romper a gengiva.
Doía, e como doía a cabeça, por causa dos danadinhos. Que remédio, senão dentista? Radiografia e consulta e o meu dentista (canhoto) decidiu arrancar um de cada vez. Sábia decisão. Ele perguntou se eu preferia começar pelo mais fácil ou pelo mais difícil. Claro que eu fui pelo mais difícil. Porque morro abaixo me parece melhor.
Dente um, inferior esquerdo, praticamente a 90º da dentição. Duas horas e meia de cirurgia, alveolite e duas semanas de recuperação até conseguir comer de novo. E haja força pra conseguir voltar no dentista pro segundo.
Dente dois, inferior direito. Hora e quarenta e cinco de cirurgia, uma semana pra comer normalmente. Dente três, superior esquerdo, uma hora de cirurgia. Dente quatro, superior direito, quarenta e cinco minutos de boca aberta. E chega.
Vale a menção: eu, quando nervosa, disparo a chorar. E chorei um total de 340 minutos no processo.
Há uns 3 meses, comecei a sentir dores muito intensas no último dente da arcada superior esquerda. Há um mês, perdi uma noite de sono com dores muito intensas. No dia seguinte, fui ao dentista numa sessão de emergência.
A sessão não durou mais de meia hora, e eu tenho pra mim que chorei uns 25 minutos. De nervoso, de dor. Tenho absoluto trauma de dentista. Ao fim, a notícia: o que me afligia era uma cárie de mais ou menos um ano de idade. E o tratamento é... canal!
Dentista por dentista, qualquer tratamento me deixaria nervosa. E lá fui eu. No primeiro dia ele olhou, conversou, explicou o tratamento, deu o orçamento e marcou a primeira sessão. Eu avisei a ele que era chorona e que tinha trauma. Ele não acreditou muito.
Sessão um. A assistente do dentista passou mal no dia. Ele sozinho, cuidando de tudo, levantando pra pegar as coisas que esquecia, já que normalmente basta chamar a assistente e as coisas aparecem na mão dele. Dor! Eu quase de ponta-cabeça, pra facilitar o acesso dele ao dente. Hora e quinze de boca aberta, chorando tanto que ele me perguntou umas três vezes se eu queria parar. Então ele fez um curativo e marcamos a próxima sessão, com a idéia de que seriam 3 ou 4.
Sessão dois. Menos nervosa, mas ainda nervosa. A assistente presente. Chorei, doía, mas tudo caminhava. Sabem o que é um tratamento de canal? O dentista mata a parte viva que liga o dente ao sistema sangüíneo, e coisa e tal. Em resumo, broquinhas e lixinhas que são esfregadas nos canais que o dente tem. Não é bom, não é o fim do mundo. Mas eu choro. E passados uns quarenta minutos de tratamento... ACABA A LUZ. Do bairro todo, acho que um cabo da rede se soltou e pegou fogo, coisas assim. Então ele fez um curativo e marcamos a próxima sessão. Faltam 2 ou 3.
Sessão três. Menos nervosa. Ainda nervosa. Era sexta-feira treze. Eu não chorei. Mas a luz acabou somente na rede de fiação que mantinha o compressor ligado, ou seja, só cortou a eletricidade de onde ela era necessária. Curativo. Faltam duas.
A próxima sessão é daqui a uma semana. E meu trauma não diminuiu nadinha. Pra mim, por mais que se diga o contrário, quem existe é a Bruxa do Dente, e é ela que eu continuo encontrando, acompanhando os dentistas (calmos e excelentes) que eu encontro no caminho.
p.s.: Quer coisa pior que um dentista que faz piadinhas ruins ou conversa com você enquanto você está ali, de boca aberta e nervosa? Eu quase odiei o cara. E nem seria de graça.



2 comentários:
ô dó, zente!
Já te contei que eu durmo em cadeira de dentista, inclusive em tratamento de canal? É.Eles ficam lá: "Acorda, Fernando!" e eu fico pescando... rs rs
Nossa....também já arranquei quatro dentes pra tratamento ortodôntico. Fiquei nervosa só de ler o seu texto e relembrar a tortura. Eu tinha dois dentinhos de leite. Qdo eles não têm o permanente pra substituir criam raiz pra encontrar fixação na mandíbula. "Dilícia demais" sentir quebrar o dente no seu osso, depois de várias anestesias que passam o efeito. Ainda tenho meus cisos amigos... nem quero pensar no que me espera....ai...
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