sexta-feira, 8 de junho de 2007

Página trezentos e trinta e dois
POSTOS TO ANTÔNIO

Eu sou irritante e atrevida desde pequenininha. E sempre fui metida a sabichona. (Se alguém disser que eu escrevi isso, eu nego até a morte e ainda digo que roubaram a minha senha do blog...)

Umas forças do destino andaram me mandando em direção a uns estudos sobre leitura e escrita na sala de aula. Eu realmente sempre fui preocupada com a capacidade das pessoas de se expressarem e interpretarem as expressões escritas alheias. E foi aí que, em meio a tantas leituras sobre "alfabetizar vs ensinar a ler", eu me peguei divagando. Antes da parte divertida, e que explica o título do post, deixe-me fazer algumas considerações.

A diferença magna entre alfabetização e capacidade de leitura e escrita é que a primeira é a pura tradução do código, enquanto a segunda sugere capacidade de interpretação. Portanto, é de se esperar que uma criança que acabou de aprender que B+A=BA não vá entender, por exemplo, os meus tons irônicos habituais. Mais do que isso, é necessária certa vivência da língua escrita e falada para realmente compreender além da simples tradução de código.

Pois bem... Lembrei-me, então, da época em que eu estava nos primeiros anos de leitura. Uma das coisas que toda criança faz quando está aprendendo a ler é andar pela cidade (a pé, de ônibus ou dentro do carro) lendo placas e tudo quanto estiver exposto. Eu achava o máximo, e me lembro de ficar encucadíssima com o maldito LTDA, que eu não conseguia entender de forma alguma. Certa feita, Av. Pedro II, mamãe e seus rebentos voltando da casa da minha avó, passamos de novo em frente a um posto. Eu sempre via o nome do posto e ficava pensando "tadinho do moço, o povo pintou o nome do posto dele errado". E nesse dia eu resolvi fazer esse comentário em voz alta.

[A partir de agora, segue uma dramatização do que poderia ter acontecido, mas a essência dos fatos é real.]

- Mãe, sabia que o dono daquele posto ali chama Antônio?
- Ué, filha, como você sabe?
- Olha lá, mãe... Tá escrito no nome do posto! Postos do Antônio! Eles erraram ali, né, mãe? Tem um T onde era um D. E tem um espaço no lugar errado, né?

Dá pra imaginar que se tratava de um "Posto SANTO Antônio", certo? Posto Sto Antônio.
Sta ignorância!

Um comentário:

Anônimo disse...

.....mas é justamente o contrário....:)
a criança entende (muito antes do que pensamos ) os tons irõnicos.....porque ela está imersa no muno da linguagem....
Com uns 2 anos eles já podem sacar isso da ironia- isto se existe alguém ao redor deles que usa a linguagem ironicamente, ou metáforas....etc...
a aprendizagem do código alfabético é mesmo mais tardio ( 5, 6 anos) e o letramento essa capacidade de interpretação, inferência, conhecimento das funções e usos da linguagem isso sim começa bem antes que a aprendizagem da codificação e decodificação.....:)