quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Página trezentos e cinqüenta e oito
Uma das origens da neurose

Eu sou uma mulher redundantemente neurótica. Não escondo, não me orgulho, simplesmente sou.

O que significa ser uma mulher neurótica? Significa achar um milhão de possibilidades, razões, desfechos e sentimentos pra cada evento do dia-a-dia. Entenda-se por "evento" qualquer coisa. Inclusive a meia calça desfiar na porta do carro.

Pois bem, eu tenho pra mim que descobri uma das origens da minha neurose crônica.

Mulheres têm sexto sentido, diz a lenda, e eu tenho certeza que a minha intuição é poderosa sim. Várias vezes eu "senti que devia fazer" alguma coisa e percebi que o resultado foi ótimo sem ter pensado e analisado.

E o que acontece quando a mulher (eu!) começa a pensar se aquilo é intuição ou pensamento? E quando ela resolve pensar e analisar todas as possibilidades? Então ela duvida do próprio sexto sentido, ou credita pensamentos próprios a uma espécie de intuição.

É aí que a porca torce o rabo. É aí que a neurose ataca como uma voadora no estômago. E é aí que ela precisa repetir as sábias palavras do Chaves: "ninguém tem paciência comigo".

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Página trezentos e cinqüenta e sete
Cenas de nós dois

Como o mundo sempre dá voltas a mais, acabamos indo pro sistema cozinha-come-dorme-acorda-e-recomeça conforme planejado. Nada melhor pra definir se um relacionamento pode dar certo do que viajar com a pessoa. Segunda viagem com o namorado, dessa vez sem a mãe dele, mas com o meu pai. Vamos aos fatos.

CENA 1: Aceso o fogão a lenha, fomos cozinhar no fim do dia. A luz da cozinha de fora não estava funcionando. Acendemos uma vela. Eu queimei o arroz e deixei sem sal, mas o bife ficou ótimo. Ainda assim, arrumamos a mesa e comemos com pompa, como se fosse um banquete.

CENA 2: Acordei de tpm. Eu sabia que estava de tpm. Falei pra ele que estava de tpm. Depois de uma hora e meia torrando a paciência dele e fazendo cara de brava, ele pára no meu caminho, me impedindo de passar, e diz:
"benzinho, sua tensão pré-monstrual 'tá nervosa hoje, hein?"
Eu rio. Muito. E alivia a tensão.

CENA 3: O almoço foi macarrão alho e óleo. Ele descascou os alhos, mas eu cortei e fiz o macarrão, com todo o fogo e todo o cheiro. Deitamos para a sesta. Ele diz no meu ouvido:
"benzinho, você está um alhinho"
Eu faço cara de brava - "tá bom, já vou tomar banho".
E ele me abraça, me segura e diz "ôooo, minha macarronaaaadaaaa".


E eu agradeço a Deus pelo anjo torto que me apareceu no caminho.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Carnavais

Desde que eu virei "gente grande" (vá lá, depois que passei de 14 anos), passei a maioria dos meus carnavais fugindo da bagunça e aproveitando uma espécie de feriadão especial. Talvez porque, desde essa idade, sempre estava com namorado e querendo mais paz e carinho do que festa e curtição.

Aí veio 2005 e eu estava só. Ainda assim, troquei a folia pelo come-dorme do sítio do papai. Foi assim, mais uns dias de folga que passaram por mim.

Em outubro de 2005 eu cismei que ia pro carnaval do Recife do ano seguinte. Em dezembro, anunciaram pra mim que eu não ia poder mais, ganhei um bolo prévio. Aí veio uma amiga e chamou pro carnaval de Diamantina.

Em 2006 eu fui com o pessoal da Turma do Apito pra um carnaval super divertido lá em Diamantina. Eu nunca fui de muita farra e povão, mas esse pessoal, a casa onde a gente ficou e tudo mais contribuiu pra ser uma farra deliciosa e inesquecível. E quando eu voltei pra BH, já vim com a cabeça feita de que o ano seguinte seria em Recife.

E fui. Passei uma semana antes e a semana do carnaval inteira em Recife, em 2007. Carreguei dois amigos daqui de BH e encontrei a confeiteira do bolo anterior. A energia do carnaval de Olinda e Recife é inexplicável. A gente vê pela tv o pessoal pulando e fazendo festa, e acha que é só porque tem uma câmera filmando, mas não é. A alegria, a energia e a festa são tamanhas que não dá pra ficar parado.

Prometi que voltava em 2008. E tinha toda a intenção - já tinha até avisado ao namorado, isso em julho! Daí veio o emprego novo... O calendário dele... Aquelas datas estranhas... O preço absurdo das passagens pra quem precisa voltar na quarta-feira de cinzas... E o meu carnaval ficou pra lá.

Tinha me conformado com uma fugidinha pra um lugar no campo, com cachoeira ou algo que fosse parecido, mas o pai solicitou uma ajudinha numa empreitada de carnaval. E me programei pra passar os 4 dias em retiro cozinha-come-dorme, no sítio dele. Até que o namorado - esse workaholic incurável! - informou que estará trabalhando. Dou a maior força e sei que foi a melhor decisão, mas vi naufragando os planos de paz e carinho. Vou ficar num vai e volta danado - ou não. No final das contas, nada parecido com o planejado.

O coração aperta a cada reportagem, som ou imagem sobre o carnaval de Recife. Dá uma vontade louca de estar lá. Mas aí eu acabei de saber que a minha anfitriã nem estaria em casa. Que seria uma festa solitária. Que os amigos do ano passado tiveram outros planos. E que está tudo bem assim. E que o ideal é carnaval no Recife em anos ímpares... Então, quem sabe ano que vem? Vamos comigo?