terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Página trezentos e cinqüenta e um
Sociedade carente

Minha vida tem passado por momentos atípicos. Dias atrás eu passei muitas várias horas fazendo companhia a uma tia hospitalizada por problemas de trombose. Hoje, ontem e provavelmente amanhã, e quiçá outros dias do porvir, tenho vindo à escola onde trabalho para cumprir o meu horário regular, apesar do singelo detalhe de não haver viv'alma para quem eu pudesse ensinar uma coisa qualquer. A vida mandou, eu vou cumprindo.

Nesses momentos, tenho tido tempo de sobra para conversar, pensar, analisar e coisas afins. E esse conversar tem um sentido muito especial que eu venho reparando mais e mais. Talvez não seja uma questão com a sociedade, talvez seja o diminuto círculo de pessoas do meu convívio íntimo, mas creio que as pessoas estão cada vez mais carentes.

Notei, por exemplo, que durante alguns dos diálogos que tive, não precisei responder mais do que algumas poucas interjeições ou onomatopéias para que o meu interlocutor falasse por uma hora ou mais. É como se o diálogo, de tão raro, se tornasse uma espécie de desabafo. Aprendi a história de um ano e meio de reviravoltas na vida de fulana, todos os bastidores do submundo profissional da vida de ciclano, todas as possíveis complicações e tratamentos para pelo menos umas quatro doenças. E tudo sem esboçar pergunta alguma.

[Senhor Grilo, Senhora Pinheiro e demais simpatizantes da idéia: agora é a hora em que vocês acham que eu quero me mudar para algum tipo de sociedade alternativa.]

Fico pensando nas várias representações da vida nos tempos antigos que já vi em livros, em filmes, em novelas e outras formas de arte. Imagino aquela época em que os homens saíam para obter o sustento, enquanto as mulheres cuidavam da casa e dos filhos. É certo que o círculo de amizades e convívio era infinitamente menor do que os que encontramos hoje, mas as mulheres tinham pequenos grupos e conviviam com outras mulheres e seus filhos na vizinhança, enquanto os homens podiam socializar com os colegas de profissão e trabalho.

Sábado era dia de descansar com a família, e não de fazer o curso da pós-gradução pra não perder o emprego. Domingo era dia de ir pra casa da mãe - ou da sogra, ou da avó - e desfrutar preguiçosamente da convivência dos familiares, conversar sobre tudo, sobre nada, dialogar.

Acredito que havia tempo, naquela época, para as pessoas serem humanas, menos que esportistas ou profissionais. Acredito que nossos egos involuíram pra isso que chamamos de sociedade desenvolvida. E, apesar de sociedade, estamos individualmente cada vez mais carentes. Pobres de nós.

3 comentários:

Anônimo disse...

Mundo, vasto mundo...

Anônimo disse...

Vc me ama??? ainda???

Quem sou eu disse...

Quiçá a convivência êmeesseênica...