quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Página trezentos e quarenta e oito
Caos e qualidade

Alguma coisa na tal qualidade total sempre me incomodou. Sempre. Quando eu não trabalhava nela, quando eu trabalhei nela e agora que eu já não trabalho mais de novo.

A natureza não tem essa história de qualidade. Tem evolução natural, tem progressão, tem melhoria. Tem uma seleção natural, mas o diferente nem sempre é considerado erro, e não existe o ideal perfeito.

Por isso eu digo, essa coisa de qualidade total é anti-natural. Relatório de não-conformidade, prazo, otimização, essas coisas são uma loucura completamente humana e contra a ordem natural das coisas. Prazo? Quem é louco de colocar prazo pra mamãe natureza terminar alguma coisa?

Existe, isso sim, uma previsão. Uma idéia de quando, como ou onde as coisas vão acontecer. E os bebês podem nascer depois de 38 ou 41 semanas, e ninguém vai morrer por isso. E umas flores podem abrir no começo de setembro, outras só no final...

Enquanto o mundo otimizar, maximizar e aperfeiçoar incessantemente, estaremos sempre um passo mais próximo da loucura, do stress e da morte. A vida é mais do que isso. Mais do que dinheiro, resultados e máximos. A vida é perfeita, e não busca por perfeição.

A lógica da coisa está na estabilidade e nas infinitas possibilidades do caos. O amor é caos, o prazer é caos, o sorriso é caos. Vida caótica é que é vida boa. E dane-se a qualidade total.

Um comentário:

Anônimo disse...

é o neoliberalismo invadindo vidas!