sexta-feira, 20 de abril de 2007

Página trezentos e vinte e um
Coxinhas flambadas

(Ou "A dona de casa piromaníaca".)


Tarefas simples: ter comida em casa, medicar as cadelas, não esquecer a casa aberta, colocar o lixo pra fora nos dias certos, sobreviver até o retorno da rainha do lar.

Coisas que eu aprendi:
- Se eu disser que vou dar os remédios das cachorras quando eu voltar pra casa, no fim do dia, estou apenas dizendo "hoje elas vão ficar sem medicação".

- Comprar pães franceses (pãozinho de sal) e deixar na geladeira, levando ao forninho elétrico ou mesmo forno comum por alguns minutinhos antes de come-los é o melhor recurso no quesito "padaria". Muito melhor que me deslocar até a padaria todos os dias, sem contar o gosto de pãozinho quentinho com manteiga derretendo. Duram pelo menos 7 dias (foi o tempo que duraram pra eu testar).

- Ter coisas congeladas (pizza, lazanha, salgadinhos) é a melhor forma de variar a alimentação. Caso contrário, as refeições feitas em casa se resumem a café, leite, toddy, pão e complementos.

E no quesito congelados, vem a grande experiência da noite passada. Na falta de açúcar e requeijão light, fui eu alegre e faceira ao supermercado suprir essa demanda quando, não mais que de repente, me deparo com o freezer contendo coxinhas congeladas de uma marca X que minha mãe compra e são deliciosas. Bônus: não precisa fritar, basta aquecer em forno comum ou microondas, e prontinho. Claro, tratei de comprar um pacotinho, já que havíamos finalizado a pizza que esteve disponível.

Oito da noite, pai, irmão e eu em casa. Penso, toda solícita: vou fazer umas coxinhas pro lanche. Entro na cozinha com as luzes apagadas e acendo o fogo. Dou uma checada pra ver se tinha alguma coisa guardada no forno, mas não encontro nada.

Forno quente, coloco um tabuleiro com coxinhas suficientes e, ao encaixa-lo no forno, ouço o barulho de uma panela virando dentro do fogão. Temos o hábito de guardar óleo de frituras como batata-frita e afins para reutilizar, fica numa panelinha vision e era ela que eu tinha procurado, com as luzes apagadas, dentro do forno.

"Que merda", penso eu, lembrando que a faxineira só volta na segunda e provavelmente serei eu a limpar todo o fogão. E aí é que a grande catástrofe acontece. Claro que eu sei que óleo não é inflamável, mas é combustível. Mesmo assim, acredito na sorte e deixo o forno ligado. Afinal, são apenas 10 minutinhos pras coxinhas ficarem prontas.

Dentro de 3 minutos o fogo alcança o óleo. Olho de fora e vejo a chama extremamente azul (de combustação completa, que gera gás carbônico mas não gera fuligem, como aprendi na escola). Por algum motivo além da capacidade de compreensão até mesmo de Freud, abro a tampa do forno (fornecendo oxigênio ao sistema e transformando a combustão em incompleta, com direito a fuligem e fumaça), e as chamas alaranjadas tomam conta do forno. Está feita a bagunça, quase pus fogo na casa. Fechei a tampa do forno, interrompi o fluxo do gás, abri todas as janelas da casa, liguei um ventilador pra espalhar a fumaça e esperei terminar a combustão. Meu irmão chegou a cogitar o uso do extintor de incêndio de algum dos carros, mas não chegou a ser necessário.

Foi traumática a experiência. Coxinhas flambadas por uma dona de casa piromaníaca não têm sabor agradável, e fazem uma tremenda bagunça. E eu ainda não contei pra minha mãe que quase pus fogo na casa inteira.

3 comentários:

Haroldo Lage disse...

taqueupariu!!!!
Ninguem (se não as coxinhas) se machucou, bem menos mal.
Mas fica a experiência :D

Anônimo disse...

De manhã tem Ana Maria Braga que ensina receitas fáceis.

Tem tamebm um programa na TV paga que se chama "Cozinha de Nigela" (leia-se Naidjela), mas a Naidjela é louca. Ela tambem faz coxinha flambadas.... rsrsrsrs

Da proxima vez acenda a luz, mané!

Só vc mesmo. Inda bem que vc tá viva e não flambada.

Anônimo disse...

se vc quiser pode vir jnatar aqui em casa viu?!