quarta-feira, 11 de julho de 2007

Duas rapidinhas no trânsito

[que mentezinha poluída essa sua, hein?]


Dirigir no caótico trânsito de BH tem o bônus de me matar de rir, olhando pros carros ao lado. Às vezes, pelo menos.

Sabe essas cortininhas (ou sei lá como isso chama) que as pessoas pregam no carro, principalmente nos vidros traseiros, pra proteger do sol? Tem de bebê, de propaganda, de tela escura, o diabo a quatro... Geralmente prende com umas ventosas e sempre tem um vendedor oferecendo no sinal (semáforo, farol, sinaleira, depende de onde você mora). Pois bem, eu vi um esses dias que é digno de menção. Melhor ainda que eu vi à noite, atráves de vidros insulfimados (escurecidos, tem que explicar tudo? hehehe). Custei a enxergar claramente, e quando percebi do que se tratava, quase bati o carro de tanto dar risada. A imagem da cortininha em questão é o Mr. Bean, com a maior cara de idiota do mundo, com as mãos e o nariz estatelados na janela, como se te encarassem. Sensacional!

BH numa secura sem fim, nada de chuva ou umidade, os carros todos empoeirados, coisa marrom de se ver. Em 34% dos carros alguém escreveu, no vidro traseiro, "lave-me", ou "fulaninha e ciclanoso", ou coisas similares. Hoje eu vi um mais original. Dizia "Saudades do Paris-Dakar". Gente criativa é o que não falta nesse mundo, né não?

No mais, bom dia do Haroldo pra vocês (hoje é dia de Haroldo), e boa semana de Haroldo, Juju e Nakamura. Felicidades a eles, queremos bolo, guaraná e muito doce.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

ainda não é retorno...

... mas de vez em quando o texto explode em mim, atropelando tudo o mais que vinha na frente.

Página trezentos e trinta e sete

Fé é aquilo que faz acreditar sem provas. É uma força, uma certeza estranha, uma esperança persistente ou sabe-se lá o quê. Fé é uma verdade natural que mora bem lá dentro da pessoa, nasce de dentro e se recusa a mudar.

Pouca fé é pra poucos, e esses poucos talvez não saibam o quanto perdem por não acreditar. Pouca fé faz com que as coisas brilhem de menos, faz querer pouco, faz desvalorizar.

Por outro lado, excesso de fé pode cegar. É como se a fé fosse uma luz, talvez. Sem ela, não se vê nada e o andar precisa ser mais atento, com três sentidos aguçados (visão prejudicada e paladar... bem, paladar não é lá muito importante ao andar). Mas o excesso de luz também prejudica a visão, e o andar passa a ser tão desastrado quanto aquele no escuro.

Fé é uma dessas coisas difíceis da vida, cuja linha de equilíbrio é tênue e pessoal. E oscila frenqüentemente com os movimentos do mundo.

Posso, por exemplo, chorar carente e cansada numa noite de domingo, descrente e sem fé, achando que não mereço outra chance de completar um par. E aí, na noite de segunda, conhecer alguém que me abala as estruturas sem que eu nem mesmo entenda bem o porquê. É como se a fé se esticasse até quase estourar, quase se perder, e depois voltasse com força total, crença inexplicável de que as coisas têm razão e hora pra acontecer.

Posso também misturar a fé na ciência. Imaginar que o mundo obedece determinada lei natural, tentar provar a teoria e receber um grande não elástico e inconveniente. E continuar tentando, mexendo um pontinho aqui, depois outro ali, com a eterna esperança de que vai, sim, dar certo. Fé na vida.

Posso duvidar da fé, tenho meus direitos. Posso pedir provas ao mundo de que as coisas deveriam ser por aí. E posso ou não acreditar nas provas que recebo. Provas como aquela variaçãozinha ali, indicando que talvez agora eu tenha acertado essa parte do experimento. Ou provas como as características dele, tão parecidas com as dos homens que realmente chamei de meus. E com tanto detalhe, com tanta riqueza, com tanto déjà vu.

Fé, crença, esperança de que dessa vez vai... É isso que eu tenho agora, é isso que me leva pra onde quer que seja que estou indo.


(E agorinha tive um déjà vu de escrever esse texto com o moço ali fora falando no celular, querendo saber de Exame Especial... Essas coisas me fazem acreditar que eu estou no lugar certo, na hora certa, sem nem mesmo saber o que isso significa. Só fé.)